Quanto custa comprar dólar depende da rota: em 2026, a soma de IOF e spread varia de menos de 1% (stablecoins em corretora nacional) até mais de 6% (papel-moeda em casa de câmbio). Este artigo detalha os custos de cada caminho do nosso guia de dolarização de patrimônio, com os números vigentes e o alerta sobre a regra que está mudando para o dólar digital.

Os três componentes do custo

Toda compra de dólar embute até três cobranças: o IOF (imposto federal sobre operações de câmbio), o spread (a diferença entre o dólar comercial e o preço que você paga) e as taxas da instituição. O IOF é tabelado por tipo de operação; spread e taxas variam por empresa — e é neles que a maioria perde dinheiro sem perceber.

IOF por tipo de operação (2026)

Operação IOF
Remessa para investimento no exterior 1,1% [1]
Remessa para conta própria no exterior 3,5% [1]
Moeda em espécie (casa de câmbio) 3,5% [1]
Cartão internacional (crédito/pré-pago) 3,5% [1]
Stablecoin em corretora nacional 0% — regra em transição [2]

Spread: o custo invisível

O spread não aparece como taxa, mas pesa mais que o IOF em muitas operações. Faixas típicas em 2026: 0,5% a 1% em corretoras de cripto para stablecoins, 1% a 2% em remessas por bancos e plataformas de câmbio, e 3% a 6% no papel-moeda. Antes de fechar qualquer operação, compare o preço final oferecido com o dólar comercial do momento — a diferença entre eles é o spread real que você está pagando.

Exemplo: R$ 10.000 em cada rota

Custo aproximado de entrada para converter R$ 10.000, somando IOF e spread médio:

  • Stablecoin em corretora nacional: R$ 0 de IOF + ~R$ 70 de spread = ~R$ 70 (passo a passo aqui)
  • Remessa para investimento no exterior: R$ 110 de IOF + ~R$ 150 de spread = ~R$ 260
  • Remessa para conta própria: R$ 350 de IOF + ~R$ 150 de spread = ~R$ 500
  • Espécie na casa de câmbio: R$ 350 de IOF + ~R$ 450 de spread = ~R$ 800

Os valores de spread são médias de mercado e mudam por instituição e volume; o IOF é fixo por lei [1]. A comparação completa entre as duas rotas principais, incluindo impostos na saída, está em dólar digital vs conta em dólar.

O alerta de 2026: o IOF chegando às stablecoins

O custo zero de IOF do dólar digital nasceu de uma lacuna: comprar cripto não era juridicamente uma operação de câmbio. Essa lacuna está se fechando. O Banco Central passou a enquadrar operações com stablecoins como câmbio, e a Receita Federal estuda estender o IOF a essas compras [2]. Nada muda até a regulamentação sair — mas quem planeja a dolarização pela rota cripto deve acompanhar o tema e, se fizer sentido no seu plano, antecipar aportes que já faria de qualquer forma.

Conclusão

Em 2026, comprar dólar custa de quase nada a quase um décimo do valor, dependendo só do caminho escolhido. A regra prática: stablecoin para o menor custo de entrada, remessa de investimento (1,1%) para quem vai montar carteira no exterior, e espécie apenas para a viagem. Custo de entrada não é o único critério — o comparativo completo das rotas pesa também impostos e praticidade.

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento; avalie sua situação ou consulte um profissional certificado antes de investir.


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Referências

  1. Safra — O Especialista. "Veja quais são as alíquotas do IOF para cada tipo de remessa internacional (2026)."
  2. ASA Investments. "Receita propõe IOF sobre criptomoedas: entenda o projeto."